24/11/2009 - 09:48
Nos últimos meses, a venda de carros foi aquecida pelo abatimento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que reduziu os preços dos novos e consequentemente dos usados. O problema é que atualmente, são vendidos 2 automóveis usados, para cada automóvel novo, um número muito inferior a 2004, onde a proporção era de 5 para 1.
Para não perder a clientela, alguns proprietários de lojas de usados tem usado de artifícios para estimular as vendas e enganar o consumidor. Um veículo com 50.000 km, facilmente pode ser adulterado para 10.000 km, e quem pagará a conta será o comprador. É impossível um leigo saber se existe algo errado ou não. Somente uma vistoria técnica pode identificar o problema.
A Deputada Maria Lúcia Amary recebeu a denúncia do problema de um cidadão que foi enganado e fez uma indicação oficial para que o Detran faça a vistoria do hodômetro em conformidade com a portaria 2000/2006. Para a parlamentar, “sem fiscalização e punição, nenhuma lei funciona”. Atualmente, o Detran apenas verifica o chassi para saber se o veículo é roubado, deixando de lado outros aspectos importantes para o consumidor.
“Queremos acabar com a cultura de que sempre é possível “dar um jeitinho”. É comum as pessoas já comprarem um carro usado, sabendo que existe a possibilidade de sua kilometragem ter sido adulterada. Isto é um absurdo. Compromete a segurança do veículo”, completa a parlamentar.
Personagem:
A indicação oficial nasceu após o surgimento de uma denúncia. O senhor Ricardo Sabanae, 39 anos, comprou um veículo da marca Subaru em uma loja multimarcas no começo de 2009, com 88.000 km. Após constatar um vazamento de óleo, Sabanae levou o seu “novo” carro até uma concessionária autorizada que, através da placa, reconheceu o automóvel.
Imediatamente foi constatado que havia algo errado. Quando este carro passou pela autorizada no ano de 2005, este possuía 105.000 km, portanto, seria impossível o mesmo estar em 2009 com 88.000 km. “Acredito que no mínimo o criminoso tenha reduzido cerca de 100.000 km no meu hodômetro. Como fiquei extremamente preocupado com a segurança da minha família, troquei diversas peças que “teoricamente” não precisariam ser trocadas. Gastei mais de R$ 3 mil por ter sido enganado.”
Ainda de acordo com Ricardo, fica difícil provar quem fez a adulteração. “Fiz um boletim de ocorrência por precaução, mas sei que dificilmente chegaremos até o culpado”, finaliza.
Crime:
A pessoa que adultera o hodômetro comete o crime contra as relações de consumo e está sujeito à pena de dois a cinco anos de detenção.
Colaborações do site de comunicações: www.fapnet.com.br